´bora lá mais uma voltinha?

Por mais que nos custe, é importante trabalharmos as nossas expetativas e isso não tem nada que ver com desviarmo-nos do nosso foco, do nosso objetivo principal. Aliás, podemos começar por desviar sim, mas para alinharmos o ângulo e limparmos as lentes por onde o vemos. Muitas vezes, ao fazer um zoom out, apercebemo-nos da existência de outras variáveis na nossa equação. Coisas que deixámos cair pelo caminho e que nos são preciosas e que não são, de todo incompatíveis com o nosso projeto-bebé.

Há uns dias ao ouvir uma conversa entre a Marie Forleo e a Elizabeth Gilbert sobre inspiração e criatividade, sobre como estas são muitas vezes dadas como adquiridas por nós, dei por mim a refletir sobre o nosso corpo, o ciclo menstrual e a fertilidade.
É incrível como já não consigo deixar de fazer estes paralelismos em quase tudo no dia-a-dia 😉

Quando decidimos que está na altura de engravidar, começamos a ter mais cuidado connosco: a comer melhor, a fazer exercício e a pensar duas vezes antes de irmos para os copos com as amigas. E a monitorizar o ciclo, claro! 😉

Eu vejo o dar este passo quase como a decisão de comprarmos ou não um bilhete para a montanha russa gigante que está a “namorar-nos” no parque de diversões.

A partir desse momento que decidimos comprar o bilhete, cada ciclo é uma espécie de viagem no carrocel chamado ciclo-menstrual-versão-1+1=2.

A viagem começa devagar (até porque ainda estamos com as pernas a tremer do ciclo anterior) e continua em velocidade cruzeiro, com uma ou outra lomba pelo caminho. Entretanto nós vamos fazendo uma dança chamada jogo-de-cintura, procurando desviar-nos dos obstáculos (aka chatices) que nos aparecem no caminho e tentando fazer escolhas saudáveis para deixar o corpinho feliz, óvulos incluídos.

A dada altura a carruagem onde estamos sentadas começa a tremer e percebemos que estamos a subir, a subir, a subir… e eis que estamos na fase lútea! Coração a saltar da boca expetativas ao rubro, braços abertos, um olho aberto e outro fechado e aí vamos nós para um salto de fé, que dura duas in-ter-mi-ná-veis semanas.

Quando estamos em pleno voo, podem acontecer duas coisas: estamos grávidas e então seguimos para a montanha-russa seguinte, que contém uns loop jeitosos e culmina com um mega loop chamado parto, ou então começamos a perder velocidade e… caímos no chão, corpo e orgulho ferido.

Eu estaria a ser hipócrita se tentasse “dourar a pílula”. Um ciclo pode ter sido vale-a-pena-emoldurar-de-tão-perfeito-que-foi, mas quando as coisas não acontecem é f…tramado.

Estateladas contra o frio do cimento, vêm-nos muitas coisas à cabeça (e ao coração) e uma delas é que o nosso corpo, mais uma vez, nos desiludiu. Pusemos, uma vez mais, todas as fichas na mesma casa e… a sensação é de que perdemos a aposta.

Levantamo-nos a muito custo, olhamos para o nosso corpo de alto a baixo e perguntamos-lhe como é que foi possível não te nos amparado a queda, depois de tudo o que fizemos por ciclo??

E tu sabes o que ele nos vai responder?
Vai piscar-nos o olho e vai perguntar: ‘bora lá mais uma voltinha?

Nessa altura temos duas escolhas: mostrar-lhe o dedo do meio e dizer que afinal já não queremos nada disso (e está tudo certo, ok? <3) ou, então, sacudimos a poeira, lambemos as feridas, olhamos em frente, damos uma festinha no coração e… ‘bora lá a mais uma viagem.
Corpo e alma e cinto de segurança também (just in case).

O nosso corpo não nos prometeu nada, para além de que iria ficar ao nosso lado, até ao último suspiro. Não nos prometeu que iriamos engravidar nesse ciclo. E manteve a sua palavra, esteve do nosso lado, para o desse e viesse.

Por mais que nos custe, é importante trabalharmos as nossas expetativas e isso não tem nada que ver com desviarmo-nos do nosso foco, do nosso objetivo principal. Aliás, podemos começar por desviar sim, mas para alinharmos o ângulo e limparmos as lentes por onde o vemos.
Muitas vezes, ao fazer um zoom out, apercebemo-nos da existência de outras variáveis na nossa equação. Coisas que deixámos cair pelo caminho e que nos são preciosas e que não são, de todo incompatíveis com o nosso projeto-bebé.
Pensa nisso com carinho.

Lembra-te de te alimentares de outras formas, para além dos alimentos e dos suplementos ao longo do ciclo fértil. Nutre-te de dentro para fora também e vais ver que já não cais no cimento. Se tiveres que cair, vai ser de uma forma mais suave e amorosa e certamente te levantarás mais depressa.

Com carinho,
Bárbara


A informação que consta no presente artigo do blog, é destinada apenas para fins educacionais e nunca substitui o diagnóstico médico.

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