Como a amamentação te pode ajudar a adiar uma nova gravidez

É possível gerir a fertilidade de forma eficiente enquanto se amamenta? Como posso adiar o regresso da minha fertilidade através da amamentação?

É possível gerir a fertilidade de forma eficiente enquanto se amamenta?
Como posso adiar o regresso da minha fertilidade através da amamentação?

Quando amamentas o teu bebé, segregas, de forma contínua, prolactina (a hormona responsável pela produção de leite materno), que, por sua vez é uma hormona antagonista do estrogénio (hormona sexual).  Isto é, quanto maior forem os níveis de segregação de prolactina, menor são os de estrogénio e, como consequência, a tua fertilidade é diminuída.

Nas primeiras 6/8 semanas após o parto é esperado que haja uma descarga vaginal sob a forma de um sangramento (lochia). Quase metade das mulheres que não amamentam ou fazem-no de forma parcial, têm novamente o seu período menstrual por volta da 6ª semana após o nascimento do bebé.
Ora, embora alguns ciclos menstruais no pós-parto possam ser anovulatórios (sem ovulação), a probabilidade de teres ovulado duas semanas antes dessa primeira menstruação é elevada – faz sentido? ;).
Assim, se não amamentas em exclusivo, recomendo que comeces a observar os teus indicadores de fertilidade por volta da 4ª semana após o parto: o muco cervical ou do colo do útero e a medição da temperatura basal (brevemente irei falar destes indicadores em pormenor).

Se, por outro lado, amamentas de forma exclusiva, é provável que o regresso da tua fertilidade se dê por volta da 10ª/12ª semana, mas, lá está, como nós não somos robôs, este timming pode variar de mulher para mulher.

Nos primeiros 6 meses de vida do bebé, a amenorreia lactacional (LAM, para os amigos) pode ser uma forma de prevenir uma nova gravidez com uma eficácia que varia entre os 98% e os 99,5%.
No entanto, de forma a garanti-lo, deverás cumprir alguns requisitos:

1. idade máxima do bebé: 6 meses;
2. a amamentação deverá ser feita de forma exclusiva: isto é, há que garantir que o teu bebé não bebe água, chás ou outras bebidas nem, obviamente, outro leite que não o materno;
3. o bebé deve mamar pelo menos 6 vezes em 24 horas. Não precisa de mamar de 4 em 4 horas, by the clockaliás, mamar em livre demanda é, sem dúvida, o ideal. No entanto, o intervalo máximo entre mamadas não deverá ultrapassar as 6 horas (sugiro que tenhas um pequeno diário onde escrevas as horas das mamadas – por experiência própria, sei o quanto é desafiador manter a informação na memória quando acabamos de ser mães. :).
4. o ideal é que o bebé durma contigo, tanto durante as sestas de dia como durante a noite – o co-sleeping é a melhor forma de manter os níveis de prolactina elevados pois o contacto bebé-mamilo é garantido :). Aliás, nas mulheres que dormem com os seus filhos mais crescidos e que querem engravidar de novo, eu sugiro que evitem fazê-lo durante um tempo. Sou totalmente a favor do co-sleeping, mas a experiencia diz-nos que pode não contribuir para o regresso da fertilidade materna.
5. a toma de leite materno seja sempre feita directamente da mama. Isto justifica-se porque a extracção de leite materno com bomba (ou mesmo à mão), não tem a mesma “eficácia” na segregação dos níveis de prolactina. Se tiveres que optar por esta forma de extracção, pontualmente, não a contabilizes nas 6 mamadas/dia, ok? :).

6. o uso da chupeta é muito controverso. Eu prefiro pedir às mães que evitem fazê-lo e que dêem o peito sempre que o bebé precise de ser acalmado, principalmente quando eles são pequeninos e ainda estão a aprender a mamar. Mesmo após a amamentação estar estabelecida, o uso da chupeta pode ser um factor que “desencoraja” o contacto mamilo/bebé e logo, a segregação de prolactina.

E agora? O meu bebé tem mais de 6 meses e ainda não me veio o período, como posso continuar a prevenir uma gravidez de forma natural?


O regresso da fertilidade em mulheres que amamentam em exclusivo pode variar muito de mulher para mulher. O que te sugiro é que, quer antes quer depois deste “marco” dos 6 meses do teu bebé, estejas atenta a pequenos sinais, como:

– perdas de sangue (ainda que pequenas) após as 8 semanas pós-parto;
– sentires a presença de muco cervical, através da sensação (sentires-te mais húmida – não, não estou a falar da humidade provocada pela excitação sexual 😉 e da observação (interna ou externa) quando vais à casa de banho;
– tiveres uma dor de barriga, que não tenha uma causa aparentemente directa, como um distúrbio digestivo, por exemplo;
– começares a sentir-te mais caliente – e sim, agora estou a falar do desejo sexual. ;).

Estes são alguns sinais de que a tua fertilidade poderá estar anunciar o seu regresso, mas não constituem, por si só um indicador capaz de dar-te informação clara e inequívoca sobre o teu estado de fertilidade.

Assim, para poderes gerir a tua fertilidade de forma segura nesta fase tão sensível, aconselho-te a procurares a orientação de uma instrutora de fertilidade que te ajudará a aplicar um método consistente de observação e interpretação dos teus indicadores de fertilidade e, consequentemente, das tuas fases férteis e não férteis.


Termino com uma boa notícia: o pós-parto não dura para sempre. :).



A informação que consta no presente artigo do blog, é destinada apenas para fins educacionais e nunca substitui o diagnóstico médico.

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