Costumas ter spotting ao longo do ciclo menstrual?

As perdas de sangue ao longo do ciclo dão-nos informações muito distintas, consoante as suas características ou a fase em que surgem. Conhecê-las é uma forma eficaz de saberes o que se passa no teu corpo e poderes encontrar formas de o re-equilibrar.

Sabias que as perdas de sangue podem ter significados distintos, consoante a sua cor, consistência ou altura do ciclo em que surgem?

Muitas mulheres têm pequenas perdas de sangue em alturas distintas do ciclo menstrual – o chamado spotting. Este é um fenómeno de tal forma considerado “normal” que quase ninguém fala disso.

O que não nos ensinam é que o spotting nos diz muita coisa sobre a sua saúde menstrual. Dependendo da cor e da altura do ciclo em que surge, pode inclusive ser um sinal de desequilíbrio hormonal.

Antes de descrever os diferentes tipos de perdas de sangue que podem surgir, gostaria de alertar-te para duas questões muito importantes:

  • a informação que vou partilhar contigo serve apenas como uma orientação e não substitui um diagnóstico médico.
  • quando refiro “perdas de sangue” estou a falar de pequenas gotículas ou mesmo muco vaginal com cor (rosada ou acastanhada), sem cheiro, comichão, ardor ou dor associada. Lembra-te: em caso de dúvida, procura o aconselhamento médico.

Disclamer feito, vamos então ver o spotting à lupa:

Spotting acastanhado antes ou após a menstruação

Poderá significar que, neste ciclo ou no ciclo anterior, o corpo amarelo (ou corpus luteum) que outrora abrigou o óvulo, não segregou progesterona suficiente para “segurar” as paredes do endométrio (camada interna do útero) – insuficiência da fase lútea – e estas acabaram se desintegrar mais cedo.

Para mulheres que pretendem engravidar, estas perdas de sangue não são uma boa notícia, uma vez que a segregação contínua de progesterona é vital para a preparação do útero para a nidação e desenvolvimento do embrião.

Mesmo que não pretendas engravidar, é importante manteres bons níveis de progesterona, pois esta hormona consegue ser uma verdadeira aliada do teu bem-estar físico e emocional.

É importante estares atenta e perceber se este fenómeno é pontual ou ocorre de forma sistemática. A boa notícia é que existem formas de dar a volta à situação… naturalmente.

Spotting por altura da ovulação

Pequenas manchas de muco rosado, avermelhado ou acastanhado aproximadamente 12 dias antes da menstruação:

Para poder estar disponível para a fecundação, nas trompas de falópio, o teu óvulo tem que realizar uma espécie de gincana acrobática. Não acreditas? Pensa comigo: o óvulo está grande, maduro e está pronto para atingir a independência; para tal, tem que romper o folículo ovárico que o albergou desde sempre (bye bye mummy!); depois disso, já fora do folículo, tem que romper o ovário (sim, leste bem!) e dar um verdadeiro salto de fé, até ser recolhido pelas extremidades das trompas de falópio, as fímbrias (ufa!).

Como resultado de todo este esforço, e da diminuição brusca de estrogénio que antecede o “big bang”, podes aperceber-te de pequenas manchas de muco avermelhado nas cuecas. Não te preocupes, este spotting é “dos bons”.

Se não tiveres este sangramento quando estás a ovular não te preocupes – uma boa parte das mulheres não o têm e não é por isso que são menos férteis.

Spotting de implantação

Se o óvulo for fecundado, cerca de 1 semana após a ovulação, vai implantar-se no endométrio, rompendo-o, para se “aconchegar” e desenvolver da melhor forma. Este fenómeno poderá provocar ligeiras perdas de sangue, geralmente acastanhado e que, se for pontual, não é motivo de preocupação.

Se tiveres perdas de sangue em alturas “pouco usuais”, de sangue vivo, castanho ou mesmo preto, aconselho-te a ser observada por um médico.

Cada mulher tem a sua história e a tua não é, certamente, a história da tua amiga, nem da vizinha do 2º frente.

Se queres saber mais sobre os teus ciclos e sobre a tua saúde menstrual, convido-te a marcares uma consulta comigo, pessoalmente ou online.

Envia-me um e-mail e podemos falar melhor.

Bons ciclos! 🙂

A informação que consta no presente artigo do blog, é destinada apenas para fins educacionais e nunca substitui o diagnóstico médico.

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