A chave está em saber trabalhar com (e não contra) o medo que habita em nós, num cantinho da nossa alma. E talvez até dar-lhe espaço. Fazê-lo sair do canto, da sombra e trazê-lo para conversar connosco.

“Tenho medo de não conseguir engravidar”. “Tenho medo de não saber ser uma boa mãe”

Medo… Essa emoção que nos persegue todos os dias e da qual nós tentamos fugir a qualquer custo.

Será que é possível vivermos sem medo? Será que é possível termos medo e sermos corajosas ao mesmo tempo?

Como diz a autora Elizabeth Gilbert no seu livro Big Magic” Ter Coragem é fazer algo assustador e Não ter Medo é não ter nem sequer noção do que a palavra ‘assustador’ significa. Segundo ela, as únicas pessoas que verdadeiramente não têm medo são os sociopatas ou as crianças pequenas, que estão a construir os seus limites. De resto, todos nós temos medo. O medo protege-nos dos perigos reais e, bem, também dos imaginários, é verdade 😉

A chave está em saber trabalhar com (e não contra) o medo que habita em nós, num cantinho da nossa alma. E talvez até dar-lhe espaço. Fazê-lo sair do canto, da sombra e trazê-lo para conversar connosco.

No mesmo livro, que fala sobre Criatividade (que eu acredito que tem tudo a ver com Fertilidade) a autora partilha uma ferramenta que usa de cada vez que vai embarcar numa nova “aventura criativa” que é, nada mais nada menos, um discurso de boas vindas dirigido ao medo. Vou tentar traduzir aqui para ti e, deliberadamente, vou substituir as duas palavras:

“Caríssimo medo: a Fertilidade* e eu vamos fazer uma viagem juntas.
Eu compreendo que te vás juntar a nós, porque é algo que sempre fazes. Eu reconheço que tu próprio acreditas que tens um papel importante na minha vida, e que levas o teu trabalho muito a sério. (…) Por isso, por favor, continua a fazer o teu trabalho, se sentes que precisas. Mas eu também vou fazer o meu trabalho nesta viagem, que é trabalhar com afinco e manter-me focada. E a Fertilidade* também vai fazer o seu trabalho que é manter-se estimulante e inspiradora.
Há imenso espaço neste veículo para nós todos, por isso sente-te em casa, mas compreende isto: a Fertilidade* e eu somos as únicas que iremos tomar as decisões no caminho. Eu reconheço e respeito que fazes parte desta família, e por isso nunca te iria excluir das nossas atividades, mas mesmo assim – as tuas sugestões nunca serão tidas em conta. Tu tens direito a um assento, e tens direito a uma voz, mas não tens direito de voto. Tu não tens direito de tocar nos mapas; nem de sugerir atalhos (…) Tu nem sequer tens permissão para mexer no rádio. Mas, acima de tudo, meu querido velho e familiar amigo, estás expressamente proibido de conduzir.”

*palavra original Criatividade

Desta forma, eu acredito que é mais fácil abraçar em paz cada uma das decisões que compõem a nossa vida, quer sejam escrever um livro, compor uma música ou mesmo conceber um filho.

E além, disso, como diz uma velha e querida amiga: o que é ser uma boa mãe?

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